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Administração Municipal

Tiro no pé

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Tiro no pé
O caso que aconteceu (ou vem acontecendo) na empresa francesa Renault
pode transformar-se em “case study”, símbolo da precipitação ou de meter os
pés pelas mãos, e que, vira e mexe, ocorre em Prefeituras, notadamente na
área fiscal.
Foi o seguinte: todos os diretores graúdos da empresa receberam uma carta
anônima pela qual dois diretores e um assistente eram acusados de receber
propina em troca de fornecer informações sigilosas sobre o projeto do carro
elétrico. A diretoria logo se reuniu e sem tomar qualquer precaução, ou, pelo
menos, investigar inicialmente a origem da denúncia, levaram o caso ao
conhecimento da Procuradoria Pública e afastaram os acusados. O assunto foi
divulgado pela imprensa e a vida dos três denunciados foi arrasada.
Os três protestaram inocência e se disseram perplexos diante de acusação tão
infame. Os seus advogados exigiram a apresentação de provas materiais. Não
havia!
Às pressas, a empresa contratou um escritório de investigação de espionagem
industrial, ao valor de U$348 mil, para investigar os três acusados. Nada foi
descoberto! Tentaram descobrir onde os três esconderam o dinheiro da
propina. Trabalho infrutífero! Varreram as contas bancárias: não acharam um
tostão furado.
Partiram, então, para descobrir o autor da denúncia. Até exame de DNA
fizeram na carta, mas o denunciante anônimo foi esperto e tomou todos os
cuidados na elaboração da missiva, inclusive na selagem.
Agora, depois do leite derramado, a empresa se prepara para inocentar os
supostos criminosos, certamente com um pedido de desculpas e dizer que tudo
foi “um lamentável engano”. A ministra da Fazenda da França lavou as mãos
ao dizer à imprensa que os executivos do alto escalão da Renault que arquem
com as consequências. Os advogados dos denunciados estão esfregando as
mãos e lambendo os beiços. Imaginem o dinheiro que vai rolar no processo de
indenização por danos morais.
Denúncia contra Fiscal é comum de acontecer. O trabalho do Fiscal gera
rancor, ninguém gosta de ser fiscalizado. Muito fácil inventar histórias, caluniar
ou tentar difamar a pessoa do Fiscal. Além disso, temos aquela coisa da inveja,
tanto externa como interna. A chefia tem que ser cautelosa, agir com prudência
diante das denúncias recebidas. O melhor caminho é requerer o processo
administrativo alvo da denúncia e analisá-lo. Se for o caso, mandar proceder
nova fiscalização. Se sair atirando a esmo, vai dar um baita tiro no pé.
Denúncia de corrupção só é válida com provas materiais e se houver acusação
sem provas que o acusador apressado arque com as consequências, como
disse a ministra francesa.
Roberto Tauil - março de 2011.
PS - O caso da Renault vem sendo noticiado no jornal Valor, última reportagem
de 10 de março de 2011, com base na publicação do The Wall Street Journal,
de Paris.